Saiba quando uma tendência visual começa a saturar

Megan Calderby Por Megan Calderby 5 Min de leitura
Dalmi Defanti

Uma tendência visual não precisa deixar de ser atraente para começar a dar sinais de saturação, pontua Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos. Quando determinadas cores, tipografias, composições, texturas e efeitos passam a aparecer repetidamente em projetos de diferentes marcas e segmentos, aquilo que inicialmente chamava atenção pode perder força como elemento de diferenciação. 

Leia mais a seguir!

Quando a repetição deixa de ser apenas coincidência?

Uma tendência geralmente se espalha porque oferece uma resposta visual eficiente para determinado momento. Aos poucos, elementos semelhantes aparecem em identidades de marcas, embalagens, publicações digitais e materiais impressos. A presença recorrente não significa imediatamente saturação, pois toda linguagem visual precisa de algum nível de repetição para ser reconhecida como tendência. A diferença começa a surgir quando aquilo que funcionava como referência passa a ser adotado quase automaticamente, sem uma relação clara com a proposta de cada projeto.

O alerta surge quando combinações inteiras começam a se repetir. Não se trata apenas de encontrar a mesma cor ou determinada família tipográfica em vários projetos, mas de perceber conjuntos semelhantes de escolhas: paleta, composição, estilo de fotografia, ilustração e acabamento seguindo praticamente a mesma lógica. Nesse estágio, trabalhos de origens diferentes podem começar a transmitir uma impressão visual muito próxima. Como consequência, uma estética ainda considerada atual pode perder parte de sua capacidade de criar reconhecimento e identidade própria.

Esse fenômeno exige atenção porque referências populares circulam com rapidez, alude Dalmi Defanti. Plataformas digitais facilitam o acesso a milhares de projetos, enquanto ferramentas de criação tornam determinadas soluções mais simples de reproduzir. Quanto maior a velocidade dessa circulação, menor pode ser o intervalo entre a popularização de uma estética e sua utilização excessiva. Por isso, acompanhar tendências também envolve observar como elas estão sendo apropriadas em diferentes contextos antes de incorporá-las a um novo trabalho.

O recurso ainda comunica ou virou decoração?

Outro caminho para identificar saturação consiste em perguntar por que determinado elemento está sendo utilizado. Uma tendência funcional deveria contribuir para a mensagem, organizar informações ou reforçar características do projeto. Quando sua presença passa a ocorrer somente porque aquele recurso aparece em trabalhos considerados atuais, existe o risco de a escolha perder o propósito.

Dalmi Defanti
Dalmi Defanti

A experiência de Dalmi Defanti Cuiabá com assuntos gráficos ajuda a observar essa diferença entre acompanhar referências e simplesmente reproduzi-las. Um recurso visual pode funcionar muito bem em determinado projeto e ser inadequado em outro. A decisão precisa considerar conteúdo, público, aplicação e objetivo, em vez de partir somente da popularidade momentânea de uma estética.

A saturação pode fazer marcas parecerem iguais?

Quanto mais uma estética é replicada, maior é a possibilidade de diferentes marcas compartilharem códigos visuais semelhantes. Em determinados casos, o público pode reconhecer que uma peça parece contemporânea, mas ter dificuldade para associá-la imediatamente a uma identidade específica. A tendência permanece evidente, enquanto a personalidade da comunicação enfraquece. Com o tempo, essa semelhança pode dificultar justamente um dos principais objetivos do design: criar elementos capazes de tornar uma comunicação reconhecível em meio a tantas outras.

Por isso, comparar um projeto apenas com seus concorrentes diretos pode ser insuficiente. Uma mesma linguagem pode estar sendo utilizada simultaneamente em segmentos completamente diferentes. Ampliar o repertório de observação ajuda a perceber quando aquilo que parece original dentro de um setor já se tornou recorrente no ambiente visual mais amplo. Esse acompanhamento também permite identificar quais elementos ainda oferecem possibilidades de interpretação própria e quais já aparecem de maneira previsível em diferentes contextos.

Nesse sentido, Dalmi Defanti relaciona o conhecimento gráfico à necessidade de considerar também a aplicação final. No impresso, por exemplo, papel, formato, acabamento e características de produção podem ampliar as possibilidades de diferenciação. Assim, uma referência contemporânea pode ser reinterpretada em vez de simplesmente reproduzida. Ao combinar decisões visuais com características específicas do suporte, o projeto pode preservar sua atualidade sem depender integralmente de uma estética que já se tornou recorrente.

Compartilhe este artigo