Recuperação judicial: O juiz pode aprovar o plano mesmo rejeitado? Entenda o cram down, com Rodrigo Gonçalves Pimentel

Diego Velázquez By Diego Velázquez 5 Min Read
O cram down permite ao juiz aprovar o plano de recuperação judicial mesmo diante de rejeição, como destaca Rodrigo Gonçalves Pimentel.

Segundo o sócio do escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados, Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, a recuperação judicial é um instrumento para a preservação de uma empresa viável. Tendo isso em vista, compreender mecanismos como o cram down pode ser o divisor entre o soerguimento e a falência. Com isso em mente, a seguir, veremos como funciona o cram down, quais requisitos precisam ser cumpridos e quais impactos práticos recaem sobre empresários e credores.

O que é o cram down na recuperação judicial?

Como comenta o Dr. Lucas Gomes Mochi, também sócio do escritório, o cram down é um mecanismo que permite ao juiz aprovar o plano de recuperação judicial mesmo quando ele é rejeitado pela assembleia geral de credores, desde que determinados requisitos legais sejam atendidos. Trata-se de uma solução excepcional, prevista na Lei 11.101/2005, que busca evitar decisões da assembleia de credores que inviabilizem empresas economicamente recuperáveis.

Assim sendo, a deliberação dos credores é determinante, mas não absoluta. De acordo com Rodrigo Pimentel Advogado, o magistrado pode intervir quando a rejeição não reflete um desequilíbrio substancial ou quando parte relevante dos credores já demonstrou adesão suficiente ao plano apresentado.

Quando o juiz pode impor o plano aos credores?

A imposição do plano não ocorre de forma automática. A lei estabelece critérios objetivos que precisam ser observados. Segundo o Dr. Lucas Gomes Mochi, o juiz somente poderá homologar o plano rejeitado se houver cumprimento cumulativo de requisitos relacionados ao quórum e à representatividade dos créditos. Isto posto, de forma resumida, o cram down exige:

  • Aprovação do plano por credores que representem mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembleia;
  • Aprovação por, no mínimo, duas classes de credores ou, caso existam apenas duas, aprovação por pelo menos uma delas;
  • Aprovação de mais de um terço dos credores na classe que rejeitou o plano.

Esses critérios demonstram que não basta simples discordância de uma classe para inviabilizar a recuperação judicial. Isto posto, é necessário avaliar o conjunto da deliberação e a proporcionalidade dos interesses envolvidos. Após a verificação desses requisitos, o magistrado ainda analisará se o plano não impõe tratamento discriminatório injustificado e se respeita a ordem de prioridades legais. Portanto, o controle judicial envolve não apenas matemática de votos, mas também análise de legalidade e viabilidade econômica.

Quais são os impactos práticos para o empresário?

Para o empresário, compreender o cram down é essencial no planejamento da recuperação judicial. Muitas vezes, a negociação com credores envolve resistências estratégicas, especialmente por parte de instituições financeiras ou grandes fornecedores. Logo, o conhecimento de que existe possibilidade de homologação judicial altera a dinâmica de negociação.

Tendo isso em vista, como ressalta o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, a preparação prévia da assembleia é determinante. A estruturação adequada do plano, a segmentação correta das classes e a apresentação de dados financeiros consistentes aumentam as chances de enquadramento nos requisitos legais do cram down, caso a aprovação integral não seja alcançada.

Na recuperação judicial, o mecanismo de cram down equilibra interesses entre empresa e credores, afirma Rodrigo Gonçalves Pimentel.
Na recuperação judicial, o mecanismo de cram down equilibra interesses entre empresa e credores, afirma Rodrigo Gonçalves Pimentel.

O cram down prejudica os credores?

Essa é uma dúvida recorrente. O cram down não elimina direitos dos credores nem impõe condições arbitrárias. Segundo Rodrigo Pimentel Advogado, ele apenas viabiliza a homologação de um plano que já demonstrou adesão significativa dentro da assembleia. Assim sendo, todos os credores submetidos ao plano continuam sujeitos às regras legais de igualdade e proporcionalidade.

Ou seja, o juiz não pode validar propostas abusivas, tampouco autorizar tratamento desigual sem fundamento jurídico. Dessa forma, o instituto funciona como mecanismo de estabilização. Em vez de gerar insegurança, ele contribui para previsibilidade, pois estabelece parâmetros claros de quando a intervenção judicial é possível.

O cram down como uma ferramenta de preservação empresarial

Em conclusão, o cram down não é atalho nem imposição arbitrária. Trata-se de instrumento técnico que assegura a efetividade da recuperação judicial quando há apoio relevante ao plano e respeito aos critérios legais. Desse modo, compreender esse mecanismo é essencial para empresários que buscam reorganizar passivos, preservar patrimônio e manter a atividade produtiva em funcionamento.

Autor: Diego Velázquez

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