Como embalagens retornáveis transformam a logística industrial? Entenda os impactos nos custos e resíduos

Megan Calderby Por Megan Calderby 5 Min de leitura
Elias Assum Sabbag Junior

Recentemente, a embalagem industrial era tratada como um item de consumo, comprada, usada uma vez e descartada ao fim de cada entrega. O empresário Elias Assum Sabbag Junior observa que indústrias passaram a medir quanto gastam com reposição de caixas, destinação de resíduos e espaço ocupado por material que só serve para uma viagem.

A mudança de comportamento decorre de fatores econômicos e ambientais. Por um lado, a pressão para redução de custos leva as empresas a examinar despesas antes consideradas fixas; por outro, metas de sustentabilidade e exigências de clientes tornam o volume de embalagens descartadas um indicador acompanhado de perto. Em contratos de fornecimento com grandes indústrias, a exigência de soluções que gerem menos resíduos já está presente nas especificações de compra.

Onde está a economia das embalagens retornáveis?

A embalagem retornável pode não apresentar um custo-benefício vantajoso no curto prazo, uma vez que seu investimento inicial costuma ser maior que o das embalagens descartáveis. Esse recurso surge à medida que o investimento inicial é diluído por meio de um grande número de viagens, tornando desnecessária a compra de novas embalagens a cada remessa.

Diante do exposto, Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, afirma que a análise correta exige a comparação do custo por ciclo, e não do preço unitário. Essa conta abrange a aquisição, o tempo de vida útil previsto, o frete de retorno, a higienização quando necessária e a reposição de unidades danificadas, além do custo evitado com descarte e compra recorrente.

Alguns fatores costumam concentrar os resultados obtidos com esse modelo:

  • Redução de compras recorrentes: a mesma embalagem atende várias entregas, diminuindo a necessidade de aquisição contínua de material.
  • Menor volume de resíduos: caixas, divisórias e acessórios deixam de ser descartados a cada remessa, o que reduz custos de coleta e destinação.
  • Padronização da operação: embalagens com dimensões fixas facilitam o empilhamento, a conferência e o abastecimento das linhas de montagem.
  • Proteção mais consistente da carga: estruturas mais duráveis mantêm o desempenho ao longo dos ciclos, o que reduz avarias nas peças transportadas.

Quais condições são necessárias para o modelo funcionar na prática?

O sistema retornável depende de um fluxo de retorno organizado. Rotas regulares entre fornecedor e cliente, distâncias compatíveis com o frete de volta e volume constante de entregas são as condições em que o modelo tende a apresentar melhor resultado.

Elias Assum Sabbag Junior
Elias Assum Sabbag Junior

Além disso, Elias Assum Sabbag Junior enfatiza a necessidade de uma gestão eficiente do inventário em circulação, um aspecto que frequentemente é negligenciado. Sem controle sobre as embalagens com cada cliente e o que precisa ser feito, a economia prevista não se concretiza.

O projeto da embalagem também influencia a viabilidade. Modelos dobráveis ou desmontáveis, como os produzidos em plástico corrugado, ocupam menos espaço no retorno vazio. Materiais laváveis permitem a reutilização em cadeias que exigem higiene, como a de alimentos.

A inspeção entre os ciclos constitui o elemento fundamental para a garantia da durabilidade do sistema. Conforme mencionado por Elias Assum Sabbag Junior, é imprescindível que as unidades danificadas sejam identificadas e removidas de circulação antes da próxima carga, uma vez que uma embalagem comprometida deixa de proteger as peças e transfere o custo da avaria para a operação que o modelo pretendia tornar mais eficiente.

Uma decisão de gestão, não de compras

Além disso, a adoção de embalagens retornáveis desloca a discussão do preço da caixa para o custo da operação. Quando a empresa passa a enxergar a embalagem como um ativo circulante, e não como um insumo consumido, outras questões se tornam relevantes: quanto tempo a embalagem dura, quanto custa trazê-la de volta e quantas avarias ela evita.

Entretanto, de acordo com a análise de Elias Assum Sabbag Junior, o resultado desse modelo depende da disposição do fornecedor e do cliente em tratar o circuito como uma responsabilidade compartilhada. A redução de resíduos e de custos tende a ser mantida ao longo do tempo onde há um acordo, mas não onde não há.

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