Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que, em 2019, ocorreu um dos momentos mais relevantes do debate internacional sobre a expansão das grandes rotas de transporte de gás natural, quando a capital indiana sediou uma conferência estratégica voltada ao futuro dos oleodutos e gasodutos terrestres.
Naquele ano, Nova Deli recebeu a 7ª Conferência Internacional de Oleoduto e Gasoduto da Índia, organizada pelos membros indianos da American Society of Mechanical Engineers (ASME), em cooperação com a Divisão de Sistemas de Oleodutos da entidade em diversos países. O encontro, sem fins lucrativos e concebido por engenheiros para engenheiros, reuniu profissionais, formuladores de políticas públicas e executivos do setor para discutir boas práticas, padrões técnicos e soluções construtivas aplicáveis a projetos de grande escala.
Um fórum técnico com foco em projetos estratégicos
Durante dois dias de programação intensa, a conferência funcionou como um espaço de intercâmbio técnico entre os principais atores da indústria global de dutos terrestres. Foram debatidos temas como métodos construtivos em ambientes extremos, segurança operacional, integridade estrutural de tubulações envelhecidas e desafios associados à travessia de regiões montanhosas e áreas ambientalmente sensíveis.
Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que entre os projetos que ganharam destaque nas discussões esteve o gigantesco gasoduto que vinha sendo planejado para ligar a Rússia à Índia, atravessando cadeias de montanhas e regiões de geografia complexa. À época, tratava-se de uma das iniciativas mais ambiciosas do setor energético mundial, envolvendo investimentos bilionários e a cooperação entre grandes empresas estatais e privadas.
A presença brasileira no evento internacional
A Liderroll foi uma das patrocinadoras da conferência e a única empresa brasileira presente no encontro. Naquele momento, a companhia já vinha colaborando tecnicamente no desenvolvimento do projeto do gasoduto Rússia–Índia, especialmente no que dizia respeito às soluções de lançamento de dutos em túneis, tecnologia patenteada desenvolvida no Brasil.
Essa tecnologia, já aplicada com sucesso em projetos complexos no território brasileiro anos antes, passou a ser considerada uma referência para obras que exigiam alto grau de precisão, segurança e redução de impactos ambientais. O fato de uma solução brasileira integrar o planejamento de um empreendimento dessa magnitude foi visto como um reconhecimento da capacidade da engenharia nacional no cenário internacional.
Debates sobre integridade e longevidade dos sistemas
Um dos eixos centrais das discussões em Nova Deli foi a integridade estrutural de oleodutos e gasodutos envelhecidos. O tema ganhou relevância diante do grande número de sistemas já em operação há décadas em diversos países, exigindo novas abordagens para inspeção, manutenção e modernização.

A palestra principal do evento foi conduzida por Ashutosh Karnatak, então vice-presidente e diretor de projetos da GAIL (Gas Authority of India Ltd.) e presidente da conferência. Em sua apresentação, ele destacou as inúmeras oportunidades de negócios na região, impulsionadas por projetos que visavam levar petróleo e gás da Rússia e do Turcomenistão para a Ásia, a Europa e o Oriente Médio. Karnatak ressaltou que esses empreendimentos demandariam soluções técnicas avançadas, especialmente em trechos de difícil acesso.
Reuniões técnicas e articulações estratégicas
A Liderroll cumpriu uma agenda intensa de reuniões de trabalho durante a conferência. Os encontros envolveram principalmente empresas fornecedoras da Rússia e da Índia, diretamente ligadas ao gasoduto Rússia–Índia. Um dos interlocutores centrais foi a Engineers India Ltd. (EIL), uma das líderes do projeto.
Na ocasião, Paulo Roberto Gomes Fernandes expõe que a empresa destacou que a tecnologia brasileira vinha sendo considerada cada vez mais relevante para os trechos do gasoduto que cruzariam regiões montanhosas. Os estudos de engenharia já realizados indicavam a viabilidade de soluções que permitiam o lançamento dos dutos fora dos túneis, reduzindo riscos operacionais e ambientais, uma abordagem que já havia sido testada com êxito em obras realizadas no Brasil anos antes.
Reconhecimento internacional da engenharia brasileira
Embora fosse a primeira participação da Liderroll naquele evento específico na Índia, a empresa já era conhecida em outros mercados da Ásia, da Europa e da Ásia Central, onde mantinha parcerias com grandes grupos do setor. A aproximação com a ASME e sua atuação como patrocinadora reforçaram o posicionamento da companhia como fornecedora de soluções técnicas de alto nível.
Naquele momento, Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que a orientação estratégica da empresa era clara: mostrar ao mercado internacional o potencial da engenharia brasileira. Mesmo em um contexto em que muitas empresas nacionais ainda demonstravam cautela em relação à atuação no exterior, a Liderroll buscava ocupar espaço em projetos emblemáticos, levando soluções desenvolvidas no Brasil para obras de escala global.
Um marco para a atuação internacional
Paulo Roberto Gomes Fernandes percebe que o encontro em Nova Deli consolidou a presença brasileira em um debate central para o futuro da infraestrutura energética mundial. A participação da Liderroll naquele evento, em 2019, simbolizou não apenas a inserção de uma empresa nacional em um projeto estratégico, mas também o reconhecimento de que tecnologias desenvolvidas no Brasil podiam competir em igualdade com soluções de países tradicionalmente dominantes no setor.
Autor: Clux Balder