Diversificação por indexador reduz risco de mercado em carteiras de FIDCs, avalia Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM

Megan Calderby Por Megan Calderby 7 Min de leitura
ID CTVM

A combinação entre recebíveis prefixados e recebíveis atrelados a diferentes índices de referência, segundo a ID CTVM, dentro de uma mesma carteira busca equilibrar a exposição de um fundo estruturado a variações nas taxas de juros e na inflação

Os recebíveis que compõem a carteira de um fundo de investimento em direitos creditórios podem ser remunerados de diferentes formas, seja por meio de uma taxa prefixada, definida no momento da originação e que não se altera até o vencimento, seja por meio de indexação a referências de mercado como o Certificado de Depósito Interbancário ou índices de inflação, cuja remuneração varia conforme a evolução desses parâmetros ao longo do tempo. Essa diversidade de indexadores dentro de uma mesma carteira introduz uma dimensão adicional à gestão de risco de um fundo estruturado, relacionada não apenas à qualidade de crédito de cada recebível, mas também à sua sensibilidade a movimentos de mercado.

A escolha do indexador de um recebível costuma refletir características específicas do setor e da operação que deu origem àquele direito creditório, o que significa que um fundo com carteira diversificada entre diferentes setores da economia tende, naturalmente, a incorporar uma combinação variada de indexadores ao longo do tempo, cenário que exige atenção específica por parte do gestor e do administrador fiduciário.

Descasamento entre indexadores de ativos e passivos exige atenção

Um dos riscos técnicos mais relevantes associados a essa diversidade de indexadores é o chamado descasamento entre a remuneração dos ativos que compõem a carteira do fundo e a remuneração prometida às cotas emitidas por esse mesmo fundo, situação em que uma parcela relevante dos recebíveis é remunerada por um indexador distinto daquele utilizado para remunerar os cotistas, o que pode gerar volatilidade adicional no resultado da operação diante de movimentos divergentes entre esses diferentes parâmetros de mercado.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a gestão criteriosa desse descasamento de indexadores é um dos aspectos técnicos que exigem maior sofisticação por parte de gestores especializados em crédito estruturado.

“Um fundo que promete remuneração atrelada ao CDI aos seus cotistas, mas que tem uma parcela relevante de sua carteira em recebíveis prefixados, fica exposto a um risco de descasamento que precisa ser ativamente gerenciado, seja por meio de diversificação adicional, seja por meio de instrumentos de proteção complementares. Ignorar esse tipo de exposição pode comprometer a capacidade do fundo de honrar a remuneração prometida aos cotistas em cenários de maior volatilidade nas taxas de referência do mercado”, afirma o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária de fundos estruturados com diferentes composições de indexadores em sua carteira, monitorando continuamente a exposição de cada operação a esse tipo de risco de mercado e reportando essa informação de forma transparente aos gestores e cotistas.

Diversificação entre indexadores complementa outras camadas de proteção

A diversificação entre diferentes indexadores dentro de uma mesma carteira, quando bem equilibrada em relação à estrutura de remuneração prometida aos cotistas, funciona como uma camada adicional de proteção contra a volatilidade de mercado, complementar às demais camadas de proteção estrutural já presentes em um fundo estruturado, como a subordinação de cotas e os limites de concentração por cedente e sacado. Essa diversificação, no entanto, precisa ser ativamente gerenciada, e não apenas resultado incidental da diversidade de setores originadores de recebíveis incorporados à carteira ao longo do tempo.

Gestores mais sofisticados costumam estabelecer, no regulamento de cada fundo, limites específicos para a proporção máxima de recebíveis vinculados a cada tipo de indexador, parâmetro que orienta a estratégia de originação de novos ativos e que é acompanhado de perto pelo administrador fiduciário ao longo de toda a vida da operação.

Instrumentos de proteção complementam a diversificação natural da carteira

Além da diversificação obtida pela própria composição setorial da carteira, gestores mais sofisticados podem recorrer a instrumentos de proteção específicos, como operações de derivativos destinadas a neutralizar parcialmente o risco de descasamento entre os indexadores dos ativos e das cotas emitidas pelo fundo, sempre dentro dos limites regulamentares estabelecidos para esse tipo de operação. Esses instrumentos, quando utilizados com finalidade estritamente protetiva, reduzem a volatilidade do resultado da operação sem comprometer a estratégia de originação de recebíveis definida para o fundo.

A definição da estratégia de gestão de indexadores costuma envolver, ainda, uma análise periódica do cenário macroeconômico e das expectativas de mercado para juros e inflação, elementos que influenciam diretamente a atratividade relativa de recebíveis prefixados em comparação a ativos indexados. Gestores atentos a essas variações macroeconômicas tendem a ajustar gradualmente a composição de indexadores da carteira ao longo do tempo, buscando manter o equilíbrio adequado entre a remuneração prometida aos cotistas e a exposição de mercado efetivamente assumida pelo fundo em cada momento do ciclo econômico.

Perspectivas para a gestão de indexadores em fundos de recebíveis

Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua sofisticação técnica na gestão de diferentes fontes de risco, a tendência é que a atenção ao descasamento entre indexadores de ativos e passivos siga como um elemento relevante na estruturação de novas operações. Para gestores e administradores fiduciários especializados, o equilíbrio criterioso entre diferentes tipos de remuneração dentro de uma mesma carteira deve continuar sendo um fator importante para sustentar a confiança de investidores na indústria de crédito estruturado.

Sobre a ID CTVM

 A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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